Reflexões

Quem pode mudar a sua sorte? Você mesmo

Sei que já tenho um post com algumas reflexões sobre sofrimento, então por que voltar ao assunto?

Simples, pois não é um assunto fácil de ser resolvido. Tem dias onde, não importa o quanto você se esforce e tenha motivos para ficar feliz, o motivo que te leva a sofrer grita mais alto que todos os outros.

Muitas pessoas sofrem todos os dias sem ao menos conversar sobre isso com alguém, seja por dificuldade de se abrir ou mesmo por falta de intimidade com quem convive, e isso acaba se transformando em um monstrinho interno terrível que vai te dissolvendo aos poucos por dentro.

Fico pensando em pessoas que são prisioneiras de situações desumanas (trabalho escravo/forçado, doenças crônicas, sub-existência, dependência química, dentre outros) simplesmente por já terem nascido dentro dessa realidade. Algumas pessoas simplesmente já nasceram sem escolha.

Uma vez, no auge do livro O Segredo (que não li e nem pretendo), o chefe do departamento onde eu trabalhava na época assistiu a uma palestra sobre o livro e decidiu repassar o que havia “aprendido” para os demais funcionários.

Depois de muitas teorias sobre a lei da atração, poder do desejo, das palavras e mais um tanto de coisas que prefiro não manifestar opinião, um colega meu fez uma pergunta no mínimo peculiar: “certo, mas como uma pessoa que nasceu na Somália, passa fome todos os dias e não tem nenhum tipo de assistência médica adequada se aplica a essa teoria?”

Será mesmo que uma pessoa que vive em uma situação horrível dessas não tem desejo suficiente para querer mudar a realidade em que vive? Essa pessoa não pensa todos os dias em como seria uma vida “normal”, onde existe comida, água, saneamento básico, atendimento médico e uma casa segura para morar?

Talvez essas pessoas não saibam nem o que é isso, mas duvido que o desejo delas não é intenso o suficiente a ponto de querer mudar a própria sorte.

Porém isso tudo que acabei de descrever se aplica a uma realidade que não depende da pessoa que está inserida nela. Do que ela depende? De pessoas que tem condições de uma vida saudável e justa se levantarem e se voluntariarem a ajudar quem precisa. Se não houver ação do outro (que tem condições plenas de realizar essa ação), a vida de uma pessoa que tem uma sub-vida não pode ser mudada.

Voltando para a nossa realidade, minha e sua, que tem um computador, um smartphone, ou até um belo tablet e está lendo esse texto. Já disse que o sofrimento alheio não diminui o seu, porém esqueci de mencionar uma coisa importante. O fato de você se dar conta que, ao contrário da pessoa em situação lastimável, você sim pode (e deve!) mudar a sua realidade, pois nesse caso, só depende de você.

É complicado lidarmos todos os dias com pessoas que nos chateiam, por não serem como queríamos, por exemplo. Mas e quando não há escolha? E quando não da para sair do emprego onde seu chefe é chato, seus colegas não contribuem para um ambiente de trabalho saudável e ainda por cima você perde 4h do seu dia amassado no transporte público, sujeito a ser empurrado e pisado por pessoas cuja pressa parece sempre ser maior que a sua?

Acho que o que pode nos ajudar de fato nessas situações é o foco. Foco em alguma coisa maior e melhor, que vai ser atingida com o tempo e com o seu esforço. Não adianta querer as coisas para ontem. Se Deus levou 7 dias para fazer o mundo inteiro, quanto tempo você acha que levaria para construir a vida perfeita? Se você não crê em Deus, esse exemplo não se aplica. Porém pense então nos grandes gênios da história da humanidade. A lâmpada, o telefone, os transportes (e os smartphones) não surgiram da noite para o dia, e pior, nem eram garantia de sucesso. Mas alguém foi lá e fez, mesmo com ninguém colocando fé na persistência daquela pessoa, certo?

Pois é, o foco de novo. Eu vou fazer isso e pronto. Simples assim.
Objetivos bem definidos ajudam a mente a ficar sã por mais tempo, e a manter o homem em lucidez. O dia está chuvoso, você tem uma pilha de trabalho que não está a fim nem de olhar, simplesmente bateu um mal-humor inexplicável e você não quer nem dar bom dia para ninguém. Tudo bem. Sim, tudo bem. Mas é assim que você quer viver todos os dias da sua vida? Essa é para pensar.

Questione o porquê de estar na situação que te desagrada, principalmente se precisa passar por ela todos os dias. Qual seu objetivo com isso tudo? Para onde essa situação está te levando? Sofrer por sofrer não faz sentido, mas sofrer temporariamente por algo concreto a longo prazo pode ser maduro, real e possível.

Limpe sua mente das distrações corriqueiras, defina seus objetivos e foque neles de forma intensa e sem falhar. Vai ver que, curiosamente, as coisas ou pessoas que te incomodam vão começar a parecer menores e distantes, mesmo que lentamente.

Fake it until you make it! ;)

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2 Comentários

  • Responder
    Daniella J.
    18 March, 2015 at 13:27

    Ótimo texto! Vou até mandar o link pra uma amiga que não está numa situação boa no momento.

    Esse exemplo que você citou sobre as pessoas em péssimas condições etc… Conheço pessoas que não sabem direito o que é ter um lugar seguro pra morar, não sabem o que é ter comida diferente a cada dia (não sabem nem nomes de temperos), não sabem o que é cinema, o que é andar de bike, o que é se divertir etc. Geralmente as pessoas que nascem e crescem em condições ruins tem a mente tão fechada e voltadas praquelas condições, que acham que coisas a mais do que aquilo que eles têm é coisa de burguês e de gente que já nasceu com condições boas.

    Algumas pessoas têm a mente tão fechada que eles não acham nunca que vão poder comer num restaurante bacana ou crescer na vida de alguma forma. Eu digo isso porque moro na passagem de uma comunidade e conheço o pensamento de muito deles que moram lá porque cresci com algumas pessoas que hoje em dia tem como meta de vida casar, ter filhos e lugar na comunidade pra morar. Apenas isso, nada a mais que isso.

    Mas como você disse (que compartilho do mesmo pensamento), conhecendo pessoas com condições difíceis, eu tenho que ter consciência de que sou eu mesma quem deve mudar a minha condição se não estou satisfeita com ela.

    Enfim, amei o texto!
    Parabéns :’)

    Beijão

    • Responder
      Pamela Rebelo
      21 September, 2015 at 17:45

      Menina, como assim eu não tinha visto seu comentário ainda?! Andei tão avoada desde que parei de escrever no blog que deixei passar ótimos comentários, como esse seu :D
      Obrigada! <3

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