Reflexões

Não sei mais estar sozinha…ou sei?

Já me disseram que sou uma pessoa “8 ou 80“, extremista e rótulos do gênero, mas a verdade é que depois de muito tempo pensando a respeito acabei concluindo que não é bem assim, e que a única coisa realmente extremista foram os rótulos acima.

Alguns infinitos são maiores que outros” (sim, eu li A Culpa É das Estrelas, e pelo amor de Deus, não tem nada haver com Crepúsculo, parem!). Essa frase da menina Hazel (bem como o restante do texto ao redor) me fez pensar no tanto de estágios entre depressão e euforia, por exemplo.

Por que raios sempre temos que ser UMA coisa ou OUTRA? Gente, existem milhões de tons entre o branco e o preto (e não, eu não li 50 Tons de Cinza e nem pretendo), milhões de números entre 0 e 100, não existe só 0 e 1 (oi galera de programação!), existe 0, 0,1, 0,2 0,34454 e por aí vai.

Todo essa blablabla foi só uma introdução para tentar entender coisas que tem se passado pela minha mente nos últimos meses sobre estar sozinha. Sei que meus textos são pouco conclusivos e muito reflexivos, mas afinal, essa é a idéia. Assim vocês se sentem livres para concordar, discordar, comentar, acrescentar, criticar ou o que quer que seja, pois gosto muito de ouvir perspectivas diferentes. O mundo não é visto de um só ângulo, pois todos somos únicos, mas estamos em diferentes lugares.

Literalmente, sabia? “Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo“. Mesmo uma pessoa exatamente do seu lado pode enxergar coisas que você não enxerga e vice-versa.

Falando em pessoas…nos últimos 4 anos eu realmente mudei de perspectiva em relação a elas. Saí de um estado onde meu mundo era apenas um único ser, sem mais companhias, para outro mundo onde tenho amigos que realmente fazem diferença na minha vida, pessoas com quem posso contar, pessoas que realmente acrescentam algo de bom e de novo em todos os meus dias. Ainda sou tímida, porém menos introvertida. Ainda gosto de ter meus momentos, porém amo sair com pessoas e ouvir histórias cotidianas.

Mas na verdade tenho me encontrado em situações curiosas: se estou fora, saindo com os amigos, fico pensando nas coisas que deveria estar fazendo em casa e que não fiz durante a semana. Se estou em casa sem absolutamente nada pra fazer, fico pensando nas pessoas com quem não estou e em como elas nunca tem tempo pra sair quando eu tenho.

Da mesma forma, passo dias procrastinando, faço 10% do que precisava fazer, tenho preguiça, o fato de fazer nada gera ainda mais vontade de fazer nada, e no final disso tudo que reclamo das coisas que “não tenho tempo pra fazer“.

Meu Deus, que bagunça! Como pode uma pessoa atualmente desempregada ter a capacidade de achar que “não tem tempo” pra fazer alguma coisa?

Quando mais nova eu costumava lidar com “solidão” numa boa. Não tinha crises de forever alone, parecia que sempre tinha algum hobbie ou atividade que me mantinha ocupada o suficiente para não me deixar perceber que eu estava sozinha. Sempre curti bem minha própria companhia e atualmente eu não vejo a hora de ter meu próprio imóvel, realmente saber como é a sensação de morar sozinha, sem perturbações, com as suas próprias regras, obrigações, vantagens e desvantagens.

Mas atualmente me vejo em um dilema: todas as vezes que acho que quero ficar sozinha acabo aproveitado metade (ou menos) do tempo que achava que aproveitaria e já sinto falta de companhia.

Eu cansei de ser a pessoa que sempre espera um (tão aguardado) convite pra sair. Mas a verdade é que em 99% das vezes em que eu tomei a iniciativa de chamar as pessoas pra sair, elas já tinham outros planos, estavam ocupadas ou simplesmente estavam cansadas de tudo que fizeram a semana toda e não estavam a fim de sair.

A verdade é que “tempo livre” demais pode ser quase uma maldição. Fico pensando por que precisamos viver em tanto desequilíbrio. Por que precisamos ora ter todo tempo do mundo, nenhum dinheiro e sermos deixados por último nas prioridades dos que sempre estão ocupados? E por que precisamos trabalhar além da conta, mal ter tempo de respirar durante a semana e ainda ter que resolver todas as pendências no fim de semana, pra depois simplesmente querer morrer jogados na cama?

Essa falta de equilíbrio é o que acaba nos consumindo. Talvez não necessariamente o “ter tempo demais” ou “ter tempo de menos”, “trabalhar demais” ou “trabalhar de menos”. A verdade é que a falta de equilíbrio é o verdadeiro prejudicial a saúde, do corpo e da mente.

Falta de equilíbrio, de ordem, de organização, de planejamento (inclusive do plano b). Por que não sabemos apreciar os “meios termos“? Tudo que há entre depressão e euforia. Que há entre ser workaholic e ser um boemio. Por que não exploramos mais as possibilidades? Será mesmo que precisa sempre ser tudo ou nada?

E ainda mais: será que estar com pessoas significa realmente estar em companhia? E estar sozinho não pode ser produtivo, mesmo numa sexta ou sábado à noite?

Essas últimas foram parar mim mesma.

E os seus infinitos, quais são? Ou melhor, os “meios termos” entre eles?

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